quarta-feira, março 31, 2004
A Páscoa está aí
E para a minha desgraça, que saí pra comprar presente de aniversário da Laurinha, perambulando, perambulando acabei na Lojas Americanas, afogada numa multidão ensandecida atrás de chocolates. E, como diz a minha mãe (a Rainha das Frases Feitas), eu não consigo ver defunto sem chorar, aproveitei pra comprar umas balinhas pra repor no pote da Patrícia, já que a mulherada desesperada daqui (e eu me incluo) não pode ver um docinho.
Daí aproveitei as ofertas de ovo de chocolate, uma caixinha de bombom aqui, um coelhinho de chocolate ali, um pacotinho de 9 Club Social...
Resultado é que eu já comi um mega sado de Ruffles e estou me entupindo de balinha de chocolate com menta. E ainda tem 3 coelhinhos de chocolate na bolsa. E eu nem vou poder malhar hoje.
Daí aproveitei as ofertas de ovo de chocolate, uma caixinha de bombom aqui, um coelhinho de chocolate ali, um pacotinho de 9 Club Social...
Resultado é que eu já comi um mega sado de Ruffles e estou me entupindo de balinha de chocolate com menta. E ainda tem 3 coelhinhos de chocolate na bolsa. E eu nem vou poder malhar hoje.
Post melancólico
Fico triste quando as pessoas se afastam. Fico mais triste ainda quando eu sinto que elas estão se afastando e não posso fazer nada pra evitar.
Coisas que foram tão importantes pra mim há uns 2 anos... Minha vidinha de internet que me fez conhecer tanta gente legal (e que, no final das contas, me fez conhecer o Anderson também)... Primeiro foi a CLP que se foi, depois a propria YtseBr, que agora só tem um povo chato... Estou com saudades das meninas (Mônica, Lô, Vivian, Bia, Adri, Paulinha, Carol... esqueci de alguém?), do povo da Ytse (Rodrigo Leme, Giba, Marcos (Otávio e Jr!), Lobo, etc, etc, etc...). Nem o povo do Sigma5 mais eu tenho visto (com exceção do Anderson, claro)! Só falo 1x na vida outra na morte com o Ed...
Ontem, estive vendo as fotos do churrasco em SP. Deu uma saudade...
Adoro vcs, ppl, miss u too much.
Coisas que foram tão importantes pra mim há uns 2 anos... Minha vidinha de internet que me fez conhecer tanta gente legal (e que, no final das contas, me fez conhecer o Anderson também)... Primeiro foi a CLP que se foi, depois a propria YtseBr, que agora só tem um povo chato... Estou com saudades das meninas (Mônica, Lô, Vivian, Bia, Adri, Paulinha, Carol... esqueci de alguém?), do povo da Ytse (Rodrigo Leme, Giba, Marcos (Otávio e Jr!), Lobo, etc, etc, etc...). Nem o povo do Sigma5 mais eu tenho visto (com exceção do Anderson, claro)! Só falo 1x na vida outra na morte com o Ed...
Ontem, estive vendo as fotos do churrasco em SP. Deu uma saudade...
Adoro vcs, ppl, miss u too much.
segunda-feira, março 29, 2004
Dói...
Hoje à noite tropecei numa estante de guitarra que o Anderson deixou no chão do quarto (ou seria uma estante de prato de bateria?). Resultado: meu dedinho do pé tá doendo.
sexta-feira, março 26, 2004
Santa
E afinal, os bons ares de Santa Tereza renderam frutos. Que o digam meus amiguinhos que também foram ao Casarão Hermê ontem (é, eu acabei indo. Como diz a minha mãe, e eu lá consigo ver defunto sem chorar?).
O lugar é charmoso sim, e a vista é bonitinha (não aquela coisa maravilhosa que todo mundo fala. Bonitinha e só). Como praticamente só nós estavamos lá, ficou confortavelmente agradavel pra dançar (não que nós sejamos poucos, devíamos ser umas 40 pessoas), apesar de o DJ ter tirado a licença pelo correio (até eu posso fazer uma discotecagem melhor). Além do que serve uma generosa caipirinha de Magnífica. O ponto negativo é que a parte de comes é fraquinha. Apesar de eu ter comido no Bar Luiz antes (sim, demos uma calibradinha com choppex escuro antes de ir pra Santa), sinto falta de umas mordidinhas enquanto bebo. Ok, serve pra deixar doido mais rápido e aguentar o DJ.
O diabo é depois esperar o efeito passar pra poder pegar o carro.
Frase do dia: Se beber, não dirija, se dirijir, já sabe...
O lugar é charmoso sim, e a vista é bonitinha (não aquela coisa maravilhosa que todo mundo fala. Bonitinha e só). Como praticamente só nós estavamos lá, ficou confortavelmente agradavel pra dançar (não que nós sejamos poucos, devíamos ser umas 40 pessoas), apesar de o DJ ter tirado a licença pelo correio (até eu posso fazer uma discotecagem melhor). Além do que serve uma generosa caipirinha de Magnífica. O ponto negativo é que a parte de comes é fraquinha. Apesar de eu ter comido no Bar Luiz antes (sim, demos uma calibradinha com choppex escuro antes de ir pra Santa), sinto falta de umas mordidinhas enquanto bebo. Ok, serve pra deixar doido mais rápido e aguentar o DJ.
O diabo é depois esperar o efeito passar pra poder pegar o carro.
Frase do dia: Se beber, não dirija, se dirijir, já sabe...
Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia
Certo está o Marcio. Vou levantar meus dadinhos aqui quietinha. Isso aqui já virou pessoal há muito tempo.
Mas que eu não vou assinar documento com bobagens escritas, isso eu não vou não.
A caça às bruxas está aí...
Mas que eu não vou assinar documento com bobagens escritas, isso eu não vou não.
A caça às bruxas está aí...
Isso aqui está me enlouquecendo
É como discutir física quântica com um advogado.
Não dá.
Estou irritada e com vontade de chorar. Hoje está dando tudo errado.
Não dá.
Estou irritada e com vontade de chorar. Hoje está dando tudo errado.
So...
E aí eu passo o dia todo cozinhando as coisas, fico mais irritada comigo mesmo, e entramos num círculo vicioso horroroso.
TPM antecipada
Tem dias em que eu sei que eu vou brigar.
Eu tento não brigar, mas certas coisas me tiram do sério. Aí eu sei que vai ter merda.
Eu tento não brigar, mas certas coisas me tiram do sério. Aí eu sei que vai ter merda.
quinta-feira, março 25, 2004
Nova aquisição
Passei no Lidador com a Gigi, pra ver Proseccos e Whiskeys pro casamento dela e acabei saindo de lá com uma garrafinha de vinho e uma de Amarula.
Eu nem tenho o bar ainda, mas já estou fazendo meu estoque. Isto não vai prestar....
Eu nem tenho o bar ainda, mas já estou fazendo meu estoque. Isto não vai prestar....
quarta-feira, março 24, 2004
Pensamento do Dia
O lado ruim de se sentir mais maduro é perceber o quanto os outros podem ser infantis.
terça-feira, março 23, 2004
Eu prometo
Que vou me esforçar ao máximo pra não ser contaminada com a arrogancia. O erro do esperto é achar que os outros são burros.
Estou com raiva.
Estou com raiva.
Tenda árabe
Enquanto não tenho dinheiro pra decorar convenientemente meu repolhinho, digo, minha sala, vou comprar várias almofadas pra jogar no chão. Afinal, fim de semana que vem, as meninas vão fazer um open house lá.
Vai parecer uma tenda árabe. Nessas horas que minhas roupas de dança do ventre iriam vir a calhar.
;o)
Vai parecer uma tenda árabe. Nessas horas que minhas roupas de dança do ventre iriam vir a calhar.
;o)
Vida de Bêbado...
... é difícil. Até no dia em que a gente não bebe ele está presente. Vi na Tok&Stock ums módulos de garrafeiros perfeitos pro barzinho que o Anderson bolou pra minha cozinha americana. Comprei as armaçõeszinhas pra colocar no cafofinho. Agora, tenho um espaço bonitinho pra colocar 10 garrafinhas (decorativas, claro, as de uso diário deverão ser mais numerosas para bem servir meus convivas. :o) ).
A cozinha deve chegar esta semana. Não vejo a hora de ver tudo prontinho.
A cozinha deve chegar esta semana. Não vejo a hora de ver tudo prontinho.
segunda-feira, março 22, 2004
FDS gastronômico
Fora o crime de domingo, sábado foi dia de jantar com mamãe e Laurinha.
Thank God foi tudo bem. Bom, eu acho que foi. Espero mesmo. Fomos no clássico Manoel&Juaquim, boa relação custo/benefício. E acho que o benefício foi bom meixxxxmo.
Thank God foi tudo bem. Bom, eu acho que foi. Espero mesmo. Fomos no clássico Manoel&Juaquim, boa relação custo/benefício. E acho que o benefício foi bom meixxxxmo.
Comer até morrer
A Natasha tinha chamado a gente pra comer até morrer no Barra Brasa. Mas, entretanto, contudo, todavia, como eu tenho como lema de vida só gastar meu dinheiro onde eu sou querida e bem tratada (passei da idade de ficar em fila de boate - se tem tanta gente querendo levar meu dinheiro, por que vou gastá-lo em lugares que que eu não sou muito bem tratada?), me recusei a esperar por mais de 1 hora por uma mesa (o lugar estava assustadoramente abarrotado de gente).
Fomos pro Montana Grill, onde definitivamente comemos até morrer. A carne estava maravilhosa, com destaque pro filé com queijo e pra linguicinha calabresa. Só a mussarela que não tava 100%, mas não comprometeu a performance do lugar (mussarela por mussarela, eu já tinha me entupido de mussarela de búfala com tomate seco, o que é muito melhor).
Moral da história: depois de fechar o almoço com um quindão criminoso de tão bom, tomei um chazinho hipócrita com adoçante. Não consegui comer mais nada até hoje.
Fomos pro Montana Grill, onde definitivamente comemos até morrer. A carne estava maravilhosa, com destaque pro filé com queijo e pra linguicinha calabresa. Só a mussarela que não tava 100%, mas não comprometeu a performance do lugar (mussarela por mussarela, eu já tinha me entupido de mussarela de búfala com tomate seco, o que é muito melhor).
Moral da história: depois de fechar o almoço com um quindão criminoso de tão bom, tomei um chazinho hipócrita com adoçante. Não consegui comer mais nada até hoje.
Delírios
Hoje tive um sonho muuuuito estranho. Sonhei que a Chris tava no México (ok, ela está mesmo) e a Rob tinha sido transferida pra Roma(!). Aí eu tirava um dia aqui no BNDES e viajava (por 1 dia!) pra Roma, a pedido da IBM(!!), pra fazer alguma coisa q eu não sabia o que era. Aí eu enrolava, enrolava, e de repente a Chris também estava lá(!!!) e a gente combinava de sair. E no dia seguinte eu ia pegar um vôo de volta, como se fosse uma ponte aérea, marcada na hora. Mas na hora de ir pro hotel, de repente eu tava no aeroporto e minha irmã estava lá, nos encontramos casualmente porque ela estava viajando totalmente sozinha há um tempão (mesmo com 17 anos!). E de repente eu tava num lugar que parecia um consultório de dentista(!!!!) com a Rob, a Chris e a Laurinha. E eu acordei com o despertador.
É isso que dá ir a churrascaria rodízio e comer até morrer.
É isso que dá ir a churrascaria rodízio e comer até morrer.
sexta-feira, março 19, 2004
Bar do Zé
Ontem fomos a um tal "Bar do Zé", muito charmosinho, ali na rua do Carmo. Tinha um grupo de chorinho lá (sempre chorinho!) e pra variar acabei sambando junto com o resto do povo. Nossa, esse BNDES é mesmo uma social só. E o pior é a minha dor na consciência de não ir hoje...
Nem sei
Se eu quero ir pro Severina hoje. Tenho certeza é de que não quero ir malhar, assim, com essa enxaqueca. Talvez eu devesse começar a comprar ovos de páscoa, chocolate é bom pra dor de cabeça, não é?
Holy Shit
Estou com dor de cabeça.
E sono.
E dor muscular.
Dormi muito mal hoje. Quero a MINHA caminha....
E sono.
E dor muscular.
Dormi muito mal hoje. Quero a MINHA caminha....
quarta-feira, março 17, 2004
Tenho certeza
De que vou me arrepender de ter optado por fazer aula de Estratégia Financeira sábado de manhã.
Mas agora que voltei a ser uma menina comprometida e séria, sem falar em pobre (monta uma casa, meu filho!), vou ver se sossego o rabitcho em casa sexta à noite.
Mas agora que voltei a ser uma menina comprometida e séria, sem falar em pobre (monta uma casa, meu filho!), vou ver se sossego o rabitcho em casa sexta à noite.
Hoje está um dia lindo
Queria ir à praia... aposto que vai fazer sol até sábado (tenho aula das 8:30 até as 14:30!) e domingo vai chover!
Mas se não chover, vamos a praia em Nikiti.
Mas se não chover, vamos a praia em Nikiti.
Marcado
Meu primeiro open house, ainda só com a house, será dia 02 de abril, quando a Chris estiver no Rio.
Teremos muita bebida, alguma comida, poucas lâmpadas, quem sabe alguma música e nenhum lugar pra sentar. Precisa de mais alguma coisa?
Teremos muita bebida, alguma comida, poucas lâmpadas, quem sabe alguma música e nenhum lugar pra sentar. Precisa de mais alguma coisa?
Eu li em algum lugar
Que anúncio de bêbado não tem dono.
Que o diga a Nova Schin.
Ainda bem que eu não bebo cerveja.
Que o diga a Nova Schin.
Ainda bem que eu não bebo cerveja.
terça-feira, março 16, 2004
segunda-feira, março 15, 2004
Meu Cafofinho
Está lindo e verdinho. Também já tem geladeira, e está pronto para receber meus convivas com cerveja gelada!
Ou seja
Se eu só tivesse olhado para o palco, teria sido uma noite agradável. Até porque os meninos que estavam comigo eram legais. Mas a fauna à volta...
Trem Fantasma S/A
Sexta feira deveria ter vindo de cocar.
Devido a apelos vigorosos do meu ex-ex-namorado, acabei não indo ao Galeria Gourmet comemorar meus 3 meses de BNDES. Eu, como boa namorada que sou, fui acompanhar o moço à entrega do Estandarte de Ouro no Olimpo.
Os shows foram legais, com a Beth Carvalho, Mart'nalia, Dudu Nobre e D Ivone Lara cantando uns sambas legais. O problema é que eu nunca vi tanta gente feia e mal vestida junta.
Baixou um Caco Antibes, e se eu estivesse com mais alguém lá, teria me divertido horrores falando mal daquele povo todo, que pensava que aquilo era uma recepção do Itamaraty.
Alguns itens que não dá pra não deixar de falar:
1 - Garçons mais mal-humorados que os do Bar Lagoa. Quase impossível chamar a atençao de algum. Um deles aidna teve o desplante de me chamar de "colega". Apesar de o "Eu não sou sua colega" ter subido à garganta, controlei meus impulsos assassinos depois de esperar por quase 1 hora por uma Pepsi Light. Nem sei por que.
2 - Tia Dodô (?) madrinha da bateria da Portela, que ganhou estandarte de personalidade do ano, trajava um vestido que parecia de debutantes. Fiquei esperando a Beth Carvalho cantar a valsa e outras 15 tias da "cumunidadi" subirem ao palco pra dançar;
3 - Atrás de mim tinha um gordo semi-careca que parecia o Sloth do The Goonies (vocês lembram dele?);
4 - Uma senhora com um cabeo acaju portava um vestido da mesma tonalidade do cabelo e colar com uma pedra enorme também acaju. Um olhar mais descuidado, na luz difusa da casa, e eu acharia que era um hidrante;
5 - Uma senhora com um conjunto de saia e blusa com uma temática bastante pitoresca: o estampado era de galos, galinhas, pintos e ovos (talvez servisse pra toalha de mesa de tia velha);
6 - Profusão de mocinhas com saias do tamanho do meu cinto, com bundas de acionamento automáticas, que pareciam vindas do anúncio da Duracell. Se fosse uma história em quadrinhos, eu leria "Sou Puta" em balões acima dos cabelos alisados. Darlene ia se sentir em casa;
7 - As referidas mocinhas eram, realmente, um ixpetáculo de corpo. mas 99,5% batiam muito mal de cara.
8 - Detalhe: uma me chamou a atenção, com um micro-top e uma micro saia rajadas branco e preto. Jurava que era a Pedrita.
Devido a apelos vigorosos do meu ex-ex-namorado, acabei não indo ao Galeria Gourmet comemorar meus 3 meses de BNDES. Eu, como boa namorada que sou, fui acompanhar o moço à entrega do Estandarte de Ouro no Olimpo.
Os shows foram legais, com a Beth Carvalho, Mart'nalia, Dudu Nobre e D Ivone Lara cantando uns sambas legais. O problema é que eu nunca vi tanta gente feia e mal vestida junta.
Baixou um Caco Antibes, e se eu estivesse com mais alguém lá, teria me divertido horrores falando mal daquele povo todo, que pensava que aquilo era uma recepção do Itamaraty.
Alguns itens que não dá pra não deixar de falar:
1 - Garçons mais mal-humorados que os do Bar Lagoa. Quase impossível chamar a atençao de algum. Um deles aidna teve o desplante de me chamar de "colega". Apesar de o "Eu não sou sua colega" ter subido à garganta, controlei meus impulsos assassinos depois de esperar por quase 1 hora por uma Pepsi Light. Nem sei por que.
2 - Tia Dodô (?) madrinha da bateria da Portela, que ganhou estandarte de personalidade do ano, trajava um vestido que parecia de debutantes. Fiquei esperando a Beth Carvalho cantar a valsa e outras 15 tias da "cumunidadi" subirem ao palco pra dançar;
3 - Atrás de mim tinha um gordo semi-careca que parecia o Sloth do The Goonies (vocês lembram dele?);
4 - Uma senhora com um cabeo acaju portava um vestido da mesma tonalidade do cabelo e colar com uma pedra enorme também acaju. Um olhar mais descuidado, na luz difusa da casa, e eu acharia que era um hidrante;
5 - Uma senhora com um conjunto de saia e blusa com uma temática bastante pitoresca: o estampado era de galos, galinhas, pintos e ovos (talvez servisse pra toalha de mesa de tia velha);
6 - Profusão de mocinhas com saias do tamanho do meu cinto, com bundas de acionamento automáticas, que pareciam vindas do anúncio da Duracell. Se fosse uma história em quadrinhos, eu leria "Sou Puta" em balões acima dos cabelos alisados. Darlene ia se sentir em casa;
7 - As referidas mocinhas eram, realmente, um ixpetáculo de corpo. mas 99,5% batiam muito mal de cara.
8 - Detalhe: uma me chamou a atenção, com um micro-top e uma micro saia rajadas branco e preto. Jurava que era a Pedrita.
sexta-feira, março 12, 2004
E hoje....
... tem um programa que eu não quieria muito fazer, mas que acho que nao terei escolha.
O pessoal daqui do banco vai comemorar 3 meses (e a efetivação) no BNDES no Galeria Gourmet. Ruim, caro e longe. Mas tenho furado tantos programas que eu acho que não vou ter opção.
O Anderson hoje está trabalhando (a patroa vai fazer show na entrega do Estandarte de Ouro)... é, dancei nessa...
O pessoal daqui do banco vai comemorar 3 meses (e a efetivação) no BNDES no Galeria Gourmet. Ruim, caro e longe. Mas tenho furado tantos programas que eu acho que não vou ter opção.
O Anderson hoje está trabalhando (a patroa vai fazer show na entrega do Estandarte de Ouro)... é, dancei nessa...
Mais japonês
Fui com o Anderson e com a Laurinha naquele japonês da Barra, nossa segunda casinha. Eu já devia estar pedindo cartão de milhagem naquela coisa.
Minha vida está beirando à perfeição.
Comprei minha gelareira (já posso dar festas com cerveja).
Comprei hoje as tintas pra pintar minha sala, que terá uma parede disfarçada de alfacinha.
Mamae talvez me dê os móveis do quarto.
Fui (re)pedida oficialmente em namoro na quarta (eita moço complicado!).
Estou num projeto bem legal aqui no trabalho.
Ok, meu carro está sujo e estou sem dinheiro, sem falar que o maldito IR vai garfar uma boa parte do que eu tinha guardado pro meu cafofinho. Mas pra quê reclamar se o resto vai tão bem?
Comprei hoje as tintas pra pintar minha sala, que terá uma parede disfarçada de alfacinha.
Mamae talvez me dê os móveis do quarto.
Fui (re)pedida oficialmente em namoro na quarta (eita moço complicado!).
Estou num projeto bem legal aqui no trabalho.
Ok, meu carro está sujo e estou sem dinheiro, sem falar que o maldito IR vai garfar uma boa parte do que eu tinha guardado pro meu cafofinho. Mas pra quê reclamar se o resto vai tão bem?
quinta-feira, março 11, 2004
terça-feira, março 09, 2004
Máscaras
PERSONAGENS:
Arlequim : Um desejo
Pierrot : Um Sonho
Colombina: A Mulher
Em qualquer terra em que os homens amem.
Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
Na vida.
BEIJO DE ARLEQUIM
I
O crescente cintila como uma cimitarra. Lírios longos, grandes mãos
brancas estendidas para o luar, bracejam nas pontas das hastes. Uma
balaustrada. Uma bandurra. Um Arlequim. Um Pierrot.
E, sobre as máscaras e os lírios, a volúpia da noite, cheia de arrepios e de aromas.
ARLEQUIM diz:
Foi assim: deslumbrava a fidalga beleza da turba nos salões da Senhora Duquesa.
Um cravo, em tom menor, numa voz quase humana, tecia o madrigal de uma antiga pavana. Eu descera ao jardim. Cheirava a heliotrópio e vi, como quem ve num vago sonho de ópio, uma loura mulher...
PIERROT
Loura?
ARLEQUIM
Como as espigas...
Como os raios de sol e as moedas antigas...Notei-lhe, sob o luar, a cabeleira crespa,
anca em forma de lira e a cintura de vespa, um cravo no listão que o seio lhe bifurca,
pezinhos de mousmé, olhos grandes, de turca... A boca, onde o sorriso era como uma abelha, recendia tal qual uma rosa vermelha.
PIERROT
Falaste-lhe?
ARLEQUIM
Falei...
PIERROT
E a voz?
ARLEQUIM
Vaga e fugace.
Tinha a voz de uma flor, se acaso a flor falasse...
PIERROT
E depois?
ARLEQUIM
Eu fiquei, sob a noite estrelada, decidido a ousar tudo e não ousando nada...
Vinha dela, pelo ar, espiritualizado numa onda volúpia, um cheiro de pecado...
Tinha a fascinacão satanica, envolvente, que tem por um batráquio o olhar duma serpente... e fiquei, mudo e só, deslumbrado e tristonho, sentindo que era real o que eu julgava um sonho! Em redor o jardim recendia.
Umas poucas tulipas cor de sangue, abertas como bocas, pela voz do perfume insinuavam perfídias...
Tremia de pudor a carne das orquídeas... Os lírios senhoreais, esbeltos como galgos,
abriram para o céu cinco dedos fidalgos fugindo a mão floral do cálix longo e fino.
Um repuxo cantava assim como um violino e, orquestrando pelo ar as harmonias rotas, desmanchava-se em sons, ao desfazer-se em gotas! Entre a noite e a mulher, eu tr?mulo hesitava: se a noite seduzia, a mulher deslumbrava!
Dei uns passos
Ao ruído agitou-se assustada. Viu-me...
PIERROT
E ela que fez?
ARLEQUIM
Deu uma gargalhada.
PIERROT
Por que?
ARLEQUIM
Sei lá! Mulher...Talvez porque ela achasse ridículo Arlequim com ar de Lovelace...
Aconcheguei-me mais: 'Deus a guarde, Senhora!'
- Obrigada. Quem és?
- 'Um arlequim que a adora!'
Vinha do seio dela, entre a renda e a micanga, um cheiro de mulher e um cheiro de cananga. Eram os olhos seus, sob a fronte alva e breve, como dois astros de ouro a arder num céu de neve. Mordia, por não rir, o lábio úmido e langue, vermelho como um corte inda vertendo sangue...E falei-lhe de amor...
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Ficou calada...
Meu amor disse tudo, ela não disse nada, mas ouviu , com prazer, a frase que renova
no amor que é sempre velho, a emocão sempre nova!
PIERROT
Que lhe disseste enfim?
ARLEQUIM
O ardor do meu desejo,
a glária de arrancar dos seus l?bios um beijo, a volúpia infernal dos seus olhos
devassos, o prazer de a estreitar , nervoso, nos meus bracos, de sentir a lascívia heril dos seus meneios, esmagar no meu peito a carne dos seus seios!
PIERROT, assustado:
Tu ousaste demais...
ARLEQUIM, cínico:
Ingenuo! A mulher bela adora quem lhe diz tudo o que é lindo nela. Ousa tudo, porque todo o homem enamorado se arrepende, afinal, de não ter tudo ousado.
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Vinha pelo ar, dos zéfiros no adejo, um perfume de amor lascivo como um beijo, como se o mundo em flor vibrasse, quente e vivo, no erotismo triunfal de um amor coletivo!
PIERROT, fremindo:
E ela?
ARLEQUIM
Ansiando, ouviu toda essa paixão louca, levantou-se...
PIERROT
Depois?
ARLEQUIM , triunfante:
Deu-me um beijo na boca!
Um silencio cheio de framito. Os lírios tremem. Pierrot olha o crescente. Arlequim dá um passo, ve a brandura, toma-a entre as mãos nervosas e magras e tange, distraído, as cordas que gemem.
ARLEQUIM
Linda viola.
PIERROT, alheado:
Bom som...
ARLEQUIM
Que musicais surpresas não encerra a mudez destas cordas retesas...
Confidencial a Pierrot:
Olha: penso, Pierrot, que não existe em suma, entre a viola e a mulher, diferenca nenhuma. Questão de dedilhar, com certa audácia e calma, numa...estas cordas de aco, e na outra...as cordas d'alma!
Suavemente, exaltando-se:
O beijo da mulher! É sinfonia louca da sonata que o amor improvisa na boca... No contado do lábio, onde a emocão acorda, sentir outro vibrar, como vibra uma corda... É vaga orquestracão da frase que sussurra ver um corpo fremir tal qual uma bandurra...Desfalecer ouvindo a música que canta no gemido de amor que morre na garganta...Colar o lábio ardente á flor de um seio lindo, ir aos poucos subindo...ir aos poucos subindo...até alcancar a boca e escutar, num arquejo, o universo parar na síncope de um beijo!
.........................................................................................................................................
Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criacão da minha alma de artista. Compreendes?
PIERROT, ansiado:
E a mulher?
ARLEQUIM, lugubremente:
A mulher? É verdade...
Levou naquele beijo a minha mocidade.
PIERROT
E agora? Onde ela está?
ARLEQUIM, ironicamente místico:
No meu lábio, no ardor desse beijo, que é todo um romance de amor!
Seduzido pela angústia da saudade:
No temor de pedi-lo e na glória de te-lo...
No gozo de prová-lo e na dor de perde-lo...
No contato desfeito e no rumor já mudo...
No prazer que passou...Nesse nada que é tudo:
O passado!... a lembranca... a saudade... o desejo...
Balbuciando:
Um jardim... Um repuxo...Uma mulher... Um beijo....
(Longo silencio cheio de evocacão e de cismas).
PIERROT, ingenuamente:
É audaciosa demais a tua história...
ARLEQUIM, ríspido:
Enfim,
um Arlequim, Pierrot, é sempre um Arlequim. Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!
O SONHO DE PIERROT
II
PIERROT
Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cantico...
ARLEQUIM, sarcástico:
Não compreendo um Pierrot que não seja romantico, branco como o marfim, magro como um canico, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.
PIERROT
Debochado Arlequim!
ARLEQUIM
Branco Pierrot tristonho...
PIERROT
Teu amor é lascívia!
ARLEQUIM
E o teu amor ? sonho...
PIERROT
É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....
ARLEQUIM, escarninho:
Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?
PIERROT
Não! A todos os que amam!
Aos que tem esse dom de encontrar a delícia na intencão da carícia e nunca na carícia...Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette...
ARLEQUIM, zombeteiro:
Eterno sonhador! Tu cres que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Ves, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua...Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?
PIERROT
Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa...
ARLEQUIM
Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: 'Era uma vez um Pierrot muito branco...'
A história de um Pierrot sempre nisso consiste... Comeca.
PIERROT narrando:
'Era uma vez... um Pierrot... muito triste... '
Uma voz, na distancia, corta, argentina, a narracáo de Pierrot.
A VOZ
Foi um moco audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abracou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.
Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente...
Eu olhei-o muito triste...
E nunca mais o encontrei!
Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar...
A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.
ARLEQUIM
Essa voz...
PIERROT
Essa voz...
ARLEQUIM
Sóde ouvi-la estremeco...
PIERROT
Eu conheco essa voz!
ARLEQUIM
Essa voz eu conheco...
Um sopro de brisa arrepia as plantas.
PIERROT
Escuta...
ARLEQUIM
Escuta...
PIERROT
Ouviste?
ARLEQUIM
Um sussurro...
PIERROT
Um lamento...
ARLEQUIM
Foi o vento talvez.
PIERROT
Sim. Talvez fosse o vento.
ARLEQUIM
Conta a história, Pierrot.
PIERROT continuando:
Numa noite divina
como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.
ARLEQUIM
Era loira também?
PIERROT
T?o loira como a tua...
Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dancavam no salão...
ARLEQUIM, interrompendo:
... uma pavana antiga,
e notaste ao luar a cabeleira crespa...
PIERROT
... a anca em forma de lira...
ARLEQUIM
... e a cintura de vespa!
PIERROT
Mãos mimosas, liriais...
ARLEQUIM
Em minúcias te expandes!
PIERROT
Um pé muito pequeno...
ARLEQUIM
Uns olhos muito grandes!
Uma mulher igual a que encontrei na vida?
PIERROT, ofendido:
Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo,
que n?o pode existir outro igual neste mundo!
Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia,
como o sinistro olhar de uma pantera núbia.
Esses olhos fatais lembravam traicoeiras
feras, armando ardis nos fojos das olheiras!
Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus
duas bocas de treva e erguer brados de luz!
Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.
ARLEQUIM, cismando:
Essas coisas também ardiam nos seus olhos...
PIERROT
Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo
eu tinha a sensacão de estar sobre um abismo.
N?o sei porque o olhar dessa estranha criatura
era cheio de horror...e cheio de docura!
Eu desejava arder nessas chamas inquietas...
ARLEQUIM
Tendo o fim dos Pierrots?
PIERROT
Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coracão batendo...
ARLEQUIM
E beijaste-lhe a boca.
PIERROT, cismarento:
Não...Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios...
Sempre o beijo melhor é o que fica nos l?bios,
esse beijo que morre assim como um gemido,
sem ter a sensacão brutal de ser colhido...
ARLEQUIM
E que disse a mulher?
PIERROT
Suspirou de desejo...
ARLEQUIM , mordaz:
Preferia, bem ves, que lhe desses um beijo!
PIERROT
Não. Ela olhou-me. Olhei... E vi que, comovida, sentiu que , nesse olhar, eu punha a minha vida...
Um silencio cheio de angústias vagas.
Sob o luar claro as almas brancas dos Lírios evocam fantasmas de emocões mortas.
Os espectros das memórias parecem recolher, como numa urna invisível, a saudade romantica de Pierrot...
ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória...
PIERROT
A história desse olhar é toda a minha história.
ARLEQUIM
E não a viste mais?
PIERROT
Nem sei mesmo se existe...
ARLEQUIM, contendo o riso:
É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!
Tomando-o pelo braco, confidencialmente:
Entretanto, ouve aqui, a guisa de consolo: diante dessa mulher...foste um Pierrot bem tolo!
Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo, entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!
PIERROT, desconsolado:
Lamentas-me Arlequim?
ARLEQUIM
Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.
O AMOR DE COLOMBINA
III
Uma voz que canta se aproxima.
A VOZ
Esse olhar deu-me o desejo
daquele beijo encontrar,
mas nunca , reunidas, vejo
a volúpia desse beijo
e a tristeza desse olhar!
PIERROT , extasiado:
Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?
ARLEQUIM
Era dela esta voz?
PIERROT
Esta voz era dela...
Arlequim est´ imerso na sombra e um raio de luar ilumina Pierrot. Entra Colombina trazendo uma bracada de flores.
COLOMBINA, vendo Pierrot:
Tu? Que fazes aqui?
PIERROT
Espero-te, divina...A sorte de um Pierrot ? esperar Colombina!
COLOMBINA
Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...
PIERROT
E eu esperei-te tanto!
COLOMBINA
Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: 'Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...'
PIERROT
Um Pierrot muito triste...
COLOMBINA
E respondia a flor: 'Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...' E eu seguia e indagava: 'Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho?' E o regato correndo e cantando, dizia: 'Coro e canto e não vejo' - e cantava e corria... Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente...
Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.
PIERROT
Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama toda a angú?stia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida, e, na noite de cisma, enevoada e calma, na janela do olhar se debruca nossa alma
COLOMBINA, languidamente abracada a Pierrot:
Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.
Minh'alma é uma crianca, e teus olhos um berco com cadencias de vaga e, a luz do teu olhar, tenho ansias de dormir, para poder sonhar!
Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...
São dois lagos azuis a luz clara do luar...
São dois raios de sol prestes a agonizar...
Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor...meu amor...meu amor...
PIERROT
Meu amor!
Colombina e Pierrot abracam-se ternamente. Há, como um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim, vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.
ARLEQUIM
Colombina!
COLOMBINA, voltando-se assustada:
Quem ??
ARLEQUIM
Sou algué?m, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!
COLOMBINA, desprendendo-se de Pierrot:
Tu, querido Arlequim!
ARLEQUIM, galanteador:
Arlequim que te adora...Que te buscava há tanto e que te encontra agora.
COLOMBINA
E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.
ARLEQUIM a Pierrot:
Ela está mais mulher...
PIERROT num ?xtase:
Ai! Ela está mais linda!
ARLEQUIM, enfatuado, a Colombina:
És linda, meu amor! Nessa formas perpassa na cadencia do Ritmo, a leveza da Graca.
Teus bracos musicais, curvos como perfídia, tem a graca sensual de uma estátua de Fídias.
Não sendo inda mulher, nem sendo mais crianca, encarnas, grande viva, a Flor de Liz de Franca...
Sobe da anca uma curva ondulante que chega a teu corpo plasmar como uma anfora grega e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo, coleante como um cisne e esbelto como um galgo!
COLOMBINA, fascinada:
Lindo!
ARLEQUIM
E não disse tudo... E n?o disse do riso boemio como ébrio e claro como um guizo.
E ainda não falei dessa voz de sereia que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia...
Não falei desse olhar cheio de magnetismo, que fulge como um astro e atrai como um abismo, e do beijo, que como uma carícia louca...
inda canta em meu l?bio e inda sinto na boca!
COLOMBINA com um voz sombria de volúpia:
Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue tem lascivo sabor de pecado e de sangue.
O venenoso amor que tua boca expele, põe-me gritos na carne e arrepios na pele!
Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto o desejo explodir das potencias do instinto,
O brado da volúpia insopitada, a fúria, do prazer latejando em uivos de luxúria!
Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece a amada que se toca e aos poucos desfalece,
e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo, agoniza num beijo e morre num espasmo.
Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte que, resumindo a vida, anseia pela morte,
dessa angústia fatal, que é o supremo prazer da glória de se amar, para depois morrer!
PIERROT, num soluco:
Ai de mim!...
COLOMBINA, como desperta:
Tu Pierrot!
PIERROT, num fio de voz:
Ai de mim que, tristonho, trazia a tua vida a oferta do meu sonho...Pouca coisa, porém... Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coracão de poeta.
Na velha Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Gisej, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns granulos de incenso... Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.
COLOMBINA com ternura:
Como te amo, Pierrot...
ARLEQUIM
E a mim, cujo desejo te abriu o coracão com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
COLOMBINA fascinada:
Como te amo, Arlequim!...
PIERROT, desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos, numa voz estrangulada:
A incerteza que esvoaca desgraca muito mais do que a própria desgraca. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgracados!
ARLEQUIM
Dize: Queres-me bem?
PIERROT:
Fala: gostas de mim?
COLOMBINA, hesitante:
A Pierrot:
Eu amo-te , Pierrot...
A Arlequim:
... Desejo-te, Arlequim...
ARLEQUIM, soturnamente:
A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!..
COLOMBINA , sorrindo e tomando ambos pela mão:
Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coracão balanco:
A Arlequim:
O teu beijo é tão quente...
A Pierrot:
O teu sonho é tão manso...
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh'alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
PIERROT
Um sonho de Pierrot...
ARLEQUIM
E um beijo de Arlequim!
Arlequim : Um desejo
Pierrot : Um Sonho
Colombina: A Mulher
Em qualquer terra em que os homens amem.
Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
Na vida.
BEIJO DE ARLEQUIM
I
O crescente cintila como uma cimitarra. Lírios longos, grandes mãos
brancas estendidas para o luar, bracejam nas pontas das hastes. Uma
balaustrada. Uma bandurra. Um Arlequim. Um Pierrot.
E, sobre as máscaras e os lírios, a volúpia da noite, cheia de arrepios e de aromas.
ARLEQUIM diz:
Foi assim: deslumbrava a fidalga beleza da turba nos salões da Senhora Duquesa.
Um cravo, em tom menor, numa voz quase humana, tecia o madrigal de uma antiga pavana. Eu descera ao jardim. Cheirava a heliotrópio e vi, como quem ve num vago sonho de ópio, uma loura mulher...
PIERROT
Loura?
ARLEQUIM
Como as espigas...
Como os raios de sol e as moedas antigas...Notei-lhe, sob o luar, a cabeleira crespa,
anca em forma de lira e a cintura de vespa, um cravo no listão que o seio lhe bifurca,
pezinhos de mousmé, olhos grandes, de turca... A boca, onde o sorriso era como uma abelha, recendia tal qual uma rosa vermelha.
PIERROT
Falaste-lhe?
ARLEQUIM
Falei...
PIERROT
E a voz?
ARLEQUIM
Vaga e fugace.
Tinha a voz de uma flor, se acaso a flor falasse...
PIERROT
E depois?
ARLEQUIM
Eu fiquei, sob a noite estrelada, decidido a ousar tudo e não ousando nada...
Vinha dela, pelo ar, espiritualizado numa onda volúpia, um cheiro de pecado...
Tinha a fascinacão satanica, envolvente, que tem por um batráquio o olhar duma serpente... e fiquei, mudo e só, deslumbrado e tristonho, sentindo que era real o que eu julgava um sonho! Em redor o jardim recendia.
Umas poucas tulipas cor de sangue, abertas como bocas, pela voz do perfume insinuavam perfídias...
Tremia de pudor a carne das orquídeas... Os lírios senhoreais, esbeltos como galgos,
abriram para o céu cinco dedos fidalgos fugindo a mão floral do cálix longo e fino.
Um repuxo cantava assim como um violino e, orquestrando pelo ar as harmonias rotas, desmanchava-se em sons, ao desfazer-se em gotas! Entre a noite e a mulher, eu tr?mulo hesitava: se a noite seduzia, a mulher deslumbrava!
Dei uns passos
Ao ruído agitou-se assustada. Viu-me...
PIERROT
E ela que fez?
ARLEQUIM
Deu uma gargalhada.
PIERROT
Por que?
ARLEQUIM
Sei lá! Mulher...Talvez porque ela achasse ridículo Arlequim com ar de Lovelace...
Aconcheguei-me mais: 'Deus a guarde, Senhora!'
- Obrigada. Quem és?
- 'Um arlequim que a adora!'
Vinha do seio dela, entre a renda e a micanga, um cheiro de mulher e um cheiro de cananga. Eram os olhos seus, sob a fronte alva e breve, como dois astros de ouro a arder num céu de neve. Mordia, por não rir, o lábio úmido e langue, vermelho como um corte inda vertendo sangue...E falei-lhe de amor...
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Ficou calada...
Meu amor disse tudo, ela não disse nada, mas ouviu , com prazer, a frase que renova
no amor que é sempre velho, a emocão sempre nova!
PIERROT
Que lhe disseste enfim?
ARLEQUIM
O ardor do meu desejo,
a glária de arrancar dos seus l?bios um beijo, a volúpia infernal dos seus olhos
devassos, o prazer de a estreitar , nervoso, nos meus bracos, de sentir a lascívia heril dos seus meneios, esmagar no meu peito a carne dos seus seios!
PIERROT, assustado:
Tu ousaste demais...
ARLEQUIM, cínico:
Ingenuo! A mulher bela adora quem lhe diz tudo o que é lindo nela. Ousa tudo, porque todo o homem enamorado se arrepende, afinal, de não ter tudo ousado.
PIERROT
E ela?
ARLEQUIM
Vinha pelo ar, dos zéfiros no adejo, um perfume de amor lascivo como um beijo, como se o mundo em flor vibrasse, quente e vivo, no erotismo triunfal de um amor coletivo!
PIERROT, fremindo:
E ela?
ARLEQUIM
Ansiando, ouviu toda essa paixão louca, levantou-se...
PIERROT
Depois?
ARLEQUIM , triunfante:
Deu-me um beijo na boca!
Um silencio cheio de framito. Os lírios tremem. Pierrot olha o crescente. Arlequim dá um passo, ve a brandura, toma-a entre as mãos nervosas e magras e tange, distraído, as cordas que gemem.
ARLEQUIM
Linda viola.
PIERROT, alheado:
Bom som...
ARLEQUIM
Que musicais surpresas não encerra a mudez destas cordas retesas...
Confidencial a Pierrot:
Olha: penso, Pierrot, que não existe em suma, entre a viola e a mulher, diferenca nenhuma. Questão de dedilhar, com certa audácia e calma, numa...estas cordas de aco, e na outra...as cordas d'alma!
Suavemente, exaltando-se:
O beijo da mulher! É sinfonia louca da sonata que o amor improvisa na boca... No contado do lábio, onde a emocão acorda, sentir outro vibrar, como vibra uma corda... É vaga orquestracão da frase que sussurra ver um corpo fremir tal qual uma bandurra...Desfalecer ouvindo a música que canta no gemido de amor que morre na garganta...Colar o lábio ardente á flor de um seio lindo, ir aos poucos subindo...ir aos poucos subindo...até alcancar a boca e escutar, num arquejo, o universo parar na síncope de um beijo!
.........................................................................................................................................
Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criacão da minha alma de artista. Compreendes?
PIERROT, ansiado:
E a mulher?
ARLEQUIM, lugubremente:
A mulher? É verdade...
Levou naquele beijo a minha mocidade.
PIERROT
E agora? Onde ela está?
ARLEQUIM, ironicamente místico:
No meu lábio, no ardor desse beijo, que é todo um romance de amor!
Seduzido pela angústia da saudade:
No temor de pedi-lo e na glória de te-lo...
No gozo de prová-lo e na dor de perde-lo...
No contato desfeito e no rumor já mudo...
No prazer que passou...Nesse nada que é tudo:
O passado!... a lembranca... a saudade... o desejo...
Balbuciando:
Um jardim... Um repuxo...Uma mulher... Um beijo....
(Longo silencio cheio de evocacão e de cismas).
PIERROT, ingenuamente:
É audaciosa demais a tua história...
ARLEQUIM, ríspido:
Enfim,
um Arlequim, Pierrot, é sempre um Arlequim. Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!
O SONHO DE PIERROT
II
PIERROT
Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cantico...
ARLEQUIM, sarcástico:
Não compreendo um Pierrot que não seja romantico, branco como o marfim, magro como um canico, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.
PIERROT
Debochado Arlequim!
ARLEQUIM
Branco Pierrot tristonho...
PIERROT
Teu amor é lascívia!
ARLEQUIM
E o teu amor ? sonho...
PIERROT
É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....
ARLEQUIM, escarninho:
Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?
PIERROT
Não! A todos os que amam!
Aos que tem esse dom de encontrar a delícia na intencão da carícia e nunca na carícia...Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette...
ARLEQUIM, zombeteiro:
Eterno sonhador! Tu cres que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Ves, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua...Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?
PIERROT
Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa...
ARLEQUIM
Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: 'Era uma vez um Pierrot muito branco...'
A história de um Pierrot sempre nisso consiste... Comeca.
PIERROT narrando:
'Era uma vez... um Pierrot... muito triste... '
Uma voz, na distancia, corta, argentina, a narracáo de Pierrot.
A VOZ
Foi um moco audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abracou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.
Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente...
Eu olhei-o muito triste...
E nunca mais o encontrei!
Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar...
A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.
ARLEQUIM
Essa voz...
PIERROT
Essa voz...
ARLEQUIM
Sóde ouvi-la estremeco...
PIERROT
Eu conheco essa voz!
ARLEQUIM
Essa voz eu conheco...
Um sopro de brisa arrepia as plantas.
PIERROT
Escuta...
ARLEQUIM
Escuta...
PIERROT
Ouviste?
ARLEQUIM
Um sussurro...
PIERROT
Um lamento...
ARLEQUIM
Foi o vento talvez.
PIERROT
Sim. Talvez fosse o vento.
ARLEQUIM
Conta a história, Pierrot.
PIERROT continuando:
Numa noite divina
como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.
ARLEQUIM
Era loira também?
PIERROT
T?o loira como a tua...
Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dancavam no salão...
ARLEQUIM, interrompendo:
... uma pavana antiga,
e notaste ao luar a cabeleira crespa...
PIERROT
... a anca em forma de lira...
ARLEQUIM
... e a cintura de vespa!
PIERROT
Mãos mimosas, liriais...
ARLEQUIM
Em minúcias te expandes!
PIERROT
Um pé muito pequeno...
ARLEQUIM
Uns olhos muito grandes!
Uma mulher igual a que encontrei na vida?
PIERROT, ofendido:
Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo,
que n?o pode existir outro igual neste mundo!
Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia,
como o sinistro olhar de uma pantera núbia.
Esses olhos fatais lembravam traicoeiras
feras, armando ardis nos fojos das olheiras!
Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus
duas bocas de treva e erguer brados de luz!
Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.
ARLEQUIM, cismando:
Essas coisas também ardiam nos seus olhos...
PIERROT
Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo
eu tinha a sensacão de estar sobre um abismo.
N?o sei porque o olhar dessa estranha criatura
era cheio de horror...e cheio de docura!
Eu desejava arder nessas chamas inquietas...
ARLEQUIM
Tendo o fim dos Pierrots?
PIERROT
Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coracão batendo...
ARLEQUIM
E beijaste-lhe a boca.
PIERROT, cismarento:
Não...Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios...
Sempre o beijo melhor é o que fica nos l?bios,
esse beijo que morre assim como um gemido,
sem ter a sensacão brutal de ser colhido...
ARLEQUIM
E que disse a mulher?
PIERROT
Suspirou de desejo...
ARLEQUIM , mordaz:
Preferia, bem ves, que lhe desses um beijo!
PIERROT
Não. Ela olhou-me. Olhei... E vi que, comovida, sentiu que , nesse olhar, eu punha a minha vida...
Um silencio cheio de angústias vagas.
Sob o luar claro as almas brancas dos Lírios evocam fantasmas de emocões mortas.
Os espectros das memórias parecem recolher, como numa urna invisível, a saudade romantica de Pierrot...
ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória...
PIERROT
A história desse olhar é toda a minha história.
ARLEQUIM
E não a viste mais?
PIERROT
Nem sei mesmo se existe...
ARLEQUIM, contendo o riso:
É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!
Tomando-o pelo braco, confidencialmente:
Entretanto, ouve aqui, a guisa de consolo: diante dessa mulher...foste um Pierrot bem tolo!
Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo, entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!
PIERROT, desconsolado:
Lamentas-me Arlequim?
ARLEQUIM
Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.
O AMOR DE COLOMBINA
III
Uma voz que canta se aproxima.
A VOZ
Esse olhar deu-me o desejo
daquele beijo encontrar,
mas nunca , reunidas, vejo
a volúpia desse beijo
e a tristeza desse olhar!
PIERROT , extasiado:
Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?
ARLEQUIM
Era dela esta voz?
PIERROT
Esta voz era dela...
Arlequim est´ imerso na sombra e um raio de luar ilumina Pierrot. Entra Colombina trazendo uma bracada de flores.
COLOMBINA, vendo Pierrot:
Tu? Que fazes aqui?
PIERROT
Espero-te, divina...A sorte de um Pierrot ? esperar Colombina!
COLOMBINA
Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...
PIERROT
E eu esperei-te tanto!
COLOMBINA
Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: 'Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...'
PIERROT
Um Pierrot muito triste...
COLOMBINA
E respondia a flor: 'Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...' E eu seguia e indagava: 'Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho?' E o regato correndo e cantando, dizia: 'Coro e canto e não vejo' - e cantava e corria... Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente...
Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.
PIERROT
Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama toda a angú?stia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida, e, na noite de cisma, enevoada e calma, na janela do olhar se debruca nossa alma
COLOMBINA, languidamente abracada a Pierrot:
Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.
Minh'alma é uma crianca, e teus olhos um berco com cadencias de vaga e, a luz do teu olhar, tenho ansias de dormir, para poder sonhar!
Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...
São dois lagos azuis a luz clara do luar...
São dois raios de sol prestes a agonizar...
Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor...meu amor...meu amor...
PIERROT
Meu amor!
Colombina e Pierrot abracam-se ternamente. Há, como um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim, vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.
ARLEQUIM
Colombina!
COLOMBINA, voltando-se assustada:
Quem ??
ARLEQUIM
Sou algué?m, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!
COLOMBINA, desprendendo-se de Pierrot:
Tu, querido Arlequim!
ARLEQUIM, galanteador:
Arlequim que te adora...Que te buscava há tanto e que te encontra agora.
COLOMBINA
E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.
ARLEQUIM a Pierrot:
Ela está mais mulher...
PIERROT num ?xtase:
Ai! Ela está mais linda!
ARLEQUIM, enfatuado, a Colombina:
És linda, meu amor! Nessa formas perpassa na cadencia do Ritmo, a leveza da Graca.
Teus bracos musicais, curvos como perfídia, tem a graca sensual de uma estátua de Fídias.
Não sendo inda mulher, nem sendo mais crianca, encarnas, grande viva, a Flor de Liz de Franca...
Sobe da anca uma curva ondulante que chega a teu corpo plasmar como uma anfora grega e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo, coleante como um cisne e esbelto como um galgo!
COLOMBINA, fascinada:
Lindo!
ARLEQUIM
E não disse tudo... E n?o disse do riso boemio como ébrio e claro como um guizo.
E ainda não falei dessa voz de sereia que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia...
Não falei desse olhar cheio de magnetismo, que fulge como um astro e atrai como um abismo, e do beijo, que como uma carícia louca...
inda canta em meu l?bio e inda sinto na boca!
COLOMBINA com um voz sombria de volúpia:
Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue tem lascivo sabor de pecado e de sangue.
O venenoso amor que tua boca expele, põe-me gritos na carne e arrepios na pele!
Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto o desejo explodir das potencias do instinto,
O brado da volúpia insopitada, a fúria, do prazer latejando em uivos de luxúria!
Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece a amada que se toca e aos poucos desfalece,
e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo, agoniza num beijo e morre num espasmo.
Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte que, resumindo a vida, anseia pela morte,
dessa angústia fatal, que é o supremo prazer da glória de se amar, para depois morrer!
PIERROT, num soluco:
Ai de mim!...
COLOMBINA, como desperta:
Tu Pierrot!
PIERROT, num fio de voz:
Ai de mim que, tristonho, trazia a tua vida a oferta do meu sonho...Pouca coisa, porém... Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coracão de poeta.
Na velha Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Gisej, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns granulos de incenso... Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.
COLOMBINA com ternura:
Como te amo, Pierrot...
ARLEQUIM
E a mim, cujo desejo te abriu o coracão com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!
COLOMBINA fascinada:
Como te amo, Arlequim!...
PIERROT, desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos, numa voz estrangulada:
A incerteza que esvoaca desgraca muito mais do que a própria desgraca. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgracados!
ARLEQUIM
Dize: Queres-me bem?
PIERROT:
Fala: gostas de mim?
COLOMBINA, hesitante:
A Pierrot:
Eu amo-te , Pierrot...
A Arlequim:
... Desejo-te, Arlequim...
ARLEQUIM, soturnamente:
A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!..
COLOMBINA , sorrindo e tomando ambos pela mão:
Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coracão balanco:
A Arlequim:
O teu beijo é tão quente...
A Pierrot:
O teu sonho é tão manso...
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh'alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
PIERROT
Um sonho de Pierrot...
ARLEQUIM
E um beijo de Arlequim!
segunda-feira, março 08, 2004
Palhaçada
Eu particularmente acho esse lance de Dia Internacional da Mulher uma palhaçada. Eu não acho que eu precise ser homenageada só por ser mulher. Mas se alguém quiser me pagar um jantar, esteja a vontade.
:o)
:o)
Paixão
Oh, my God.
Estou viciada em comida japonesa. E como em todo vício, estou pagando caro por isso.
Estou viciada em comida japonesa. E como em todo vício, estou pagando caro por isso.
quinta-feira, março 04, 2004
Chopp, chopp, chopp
O choppinho com as meninas da faculdade foi desmarcado. Bom, ainda h? a esperan?a de sair com o povo daqui. Ou n?o. Sei l?. O dia hoje est? estranho.
O santo tá desconfiado.
O meu cheque da cozinha ainda não bateu (e amanhã entra meu pagamento, ou seja, não vou ficar negativa nem um dia), a Cátia ligou dizendo que podia transferir a minha consulta das 18:00 pras 19:00, e deu tempo de eu comer sashimi de salmão no almoço.
Alguma coisa está fora da ordem.
Alguma coisa está fora da ordem.
quarta-feira, março 03, 2004
Eu acho que eu vi um gatinho!
Eu vi! Eu vi sim, mas nao era um gatinho, é a geladeira que eu quero comprar pra mim, num preço ótimo, acreditem se quiser, nas Casas Bahia. Lá, o preço em 10x no cartão (o que significa mais milhagem!) tá mais barato q a vista em outras lojas!
terça-feira, março 02, 2004
Mas como nem tudo é ruim na vida....
Comprei meus armários de cozinha ontem!
Estã tão lindjo!!!!!
Depois eu e o meu "decorador" ainda fomos no Toq Final jantar.
Aliás, e que jantar!
Estã tão lindjo!!!!!
Depois eu e o meu "decorador" ainda fomos no Toq Final jantar.
Aliás, e que jantar!
Eu Odeio a Oi!
Se é verdade que cada cliente insatisfeito gera 10 clientes a menos, minha meta de vida hoje é chegar a pelo menos 100. 100 incautos que possam imaginar a loucura de comprar um celular da Oi! Ou, melhor ainda, convencer 100 pessoas a cancelar sua linha.
O serviço de atendimento da Oi! é uma das coisas mais pavorosas que eu já vi na vida. Depois de quase cancelar meu contrato, visto a incompetência "padrão Telemar" de suspender minha linha qdo meu celular foi roubado, me convenceram a ficar, me dando um celular novo quase de graça. E eu, mané, Zé Ruela, Otário, como a propaganda deles fala, fiz o plano, que me prendeu a eles por mais um infindável ano.
Mas assim que esta merda acabar, na semana seguinte passo pra Claro. Não aguento mais aqueles antendentes mal educados, burros e mal treinados. Tô fora.
Faça uma boa ação: não compre telefones da Oi!
O serviço de atendimento da Oi! é uma das coisas mais pavorosas que eu já vi na vida. Depois de quase cancelar meu contrato, visto a incompetência "padrão Telemar" de suspender minha linha qdo meu celular foi roubado, me convenceram a ficar, me dando um celular novo quase de graça. E eu, mané, Zé Ruela, Otário, como a propaganda deles fala, fiz o plano, que me prendeu a eles por mais um infindável ano.
Mas assim que esta merda acabar, na semana seguinte passo pra Claro. Não aguento mais aqueles antendentes mal educados, burros e mal treinados. Tô fora.
Faça uma boa ação: não compre telefones da Oi!
segunda-feira, março 01, 2004
Falando nisso...
Alguém viu a Sol cortando uma carne numa festa dessas?
Parecia que estava serrando uma tora de madeira.
LA-MEN-TÁ-VEL
Nosso poveco adora um mau exemplo...
Parecia que estava serrando uma tora de madeira.
LA-MEN-TÁ-VEL
Nosso poveco adora um mau exemplo...
BBB
Se a pentelha analfabeta da Sol ficar no BBB4 e o Zulu sair, paro de ver.
Definitivamente o nosso povo gosta de pobre, burro, e analfabeto. R$ 500 mil tb fazem falta pra mim oras...
Definitivamente o nosso povo gosta de pobre, burro, e analfabeto. R$ 500 mil tb fazem falta pra mim oras...
Redenção do Nova Capela
Depois de um début decepcionate (detestei aquele famoso cabrito de lá - eita carninha ruim!), resolvi dar uma nova chance e rumei pra Lapa com o Anderson ontem. Bolinho de aipim com carne seca trouxe uma nova perspectiva da casa.
A novela dos Armários
Nossa, que coisa difícil comprar armérios pra cozinha.
Definitivamente nunca me imaginei preocupada em ter lugar pra guardar vassouras e baldes. Eles não se desitegravam depois da faxina?
Definitivamente nunca me imaginei preocupada em ter lugar pra guardar vassouras e baldes. Eles não se desitegravam depois da faxina?
Por que eu odeio bancos
1 - Porque pra entrar, vc tem que tirar da bolsa as chaves, o celular (o número de assaltos a banco onde o assaltante ameaça a todos com um celular cresce dia a dia...), as chaves do carro, o guarda chuva, a medalhinha que a sua avó deu, o zíper da bolsa... (sim, pq eu vou mesmo entrar na agência com a minha escopeta);
2 - Porque na hora do almoço, justo a de maior movimento, a agência funciona com só 2 caixas;
3 - Porque um dos caixas é pra gestantes, deficientes e idosos;
4 - Porque aqueles malditos velhos que não tem mais nada pra fazer em casa vão pagar as contas da família inteira, e ficam, cada um, 15 minutos no caixa (é, baixou Dóris em mim, sim, algum problema????);
5 - Porque aqueles malditos offica-boys levam aquelas malditas pastas com contas do departamento inteiro pra pagar, e tb levam quase 10 minutos cada;
6 - Porque a troca dos caixas é sempre na sua vez....
2 - Porque na hora do almoço, justo a de maior movimento, a agência funciona com só 2 caixas;
3 - Porque um dos caixas é pra gestantes, deficientes e idosos;
4 - Porque aqueles malditos velhos que não tem mais nada pra fazer em casa vão pagar as contas da família inteira, e ficam, cada um, 15 minutos no caixa (é, baixou Dóris em mim, sim, algum problema????);
5 - Porque aqueles malditos offica-boys levam aquelas malditas pastas com contas do departamento inteiro pra pagar, e tb levam quase 10 minutos cada;
6 - Porque a troca dos caixas é sempre na sua vez....

